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by Bianca Rossini |
Paris á l’impromptu
Acabei
de voltar de Paris - França aonde estiva por dez dias. Aqui vao alguns
snapshots de momentos inesqueciveis dessa viagem.
O
principe do Marroco estava visitando Paris nessa mesma semana. As bandeiras
Francesas e Marroquinas enfileiravam o corredor do Champs Elysee. No
meio do Arc de Triomphe a bandeira francesa parecia estar suspensa no
ar, dancando como uma ninfa. Dependendo do angulo, se podia centralizar
a lua cheia no meio do arco um pouco a esquerda da Bandeira.
Quarta-feira
- Saint Germain des Pres estava tranquilo as onze da noite. Procurando
um restaurante. Pouco turista. Quase que escolhemos “Les Assassins”,
so pelo nome, mas a fumaca de cigarrro era densa que nao se enchergava
alem da primera mesa. Optamos por um restaurante menor ainda e bem tipico
da vizinhanca, “La Brocherie”. Uma delicia. Principalmente o papo da
mesa vizinha, tres homens, uma moca. Os homens conversavam entre si,
a moca calada sorria de vez em quando. Praticavam a arte de falar sobre
tudo e nao falar nada.
De
repente, na mesa inteira todos conversam no celular.
A sobremesa estava deliciosa, meu favorito
de infancia: Flan.
Quinta-feira
em Saint Germain des Pres, a nossa amiga Monique nos convidou para um
festa vip no “Le Deux Magots” aonde se celebrava the signing of the
preservation and artistic heritage das duas cidades irmas; St. Germain
em Paris, e Soho em New York. Exposicoes e Performance Art por toda
area. Momento inesquecivel na Place Furstenberg, patrocinado pelo Delacroix
Museum, aonde uma audiencia grande assistiam dancarinas arabes fantasiadas
dancar e representar. Tecidos coloridos pendurados como num varal e
outros props decoravam a pracinha. Por toda vizinhanca havia algo magico
creativo acontecendo. Seja na boutique Channel, entre outras ou na rua,
mesmo com a chuva pingando aqui e ali, a vizinhanca estava cheia de
energia. Nesse sentido Parisienses como os cariocas sao muito similares
- A chuva nao altera a alegria deles. Na igreja em Saint Germain um
recital de musica e danca Flamenga as oito da noite. Mas nao fomos pois
tinhamos jantar marcado no ultimo venture do Michel Rostandg que eu
nao recomendo a nao ser as ostras.
Jantar Favorito em Paris
- Na casa da nossa amiga Monique Teil’s que como no Hotel dela “George
Sands” em Courbevoie reflete seu estilo feminino, romantico e artistico.
Nao so o “Fish au Gros Sel” estava divino mas estavamos entre grande
compania: Monique, Brigitte, que cantou opera em Chines, Michelle, Gerard,
Robert e Philippe. Nos dancamos, cantamos, improvisamos poesia e rimos
pela noite a dentro.
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Da esquerda para a direita: Bianca, Brigitte,
Philippe, Michelle e Robert
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Monique prestes a servir o "Fish au Gros Sel"
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Sabado
fui caminhar na rua Saint Honore. A minha amiga insistiu para que eu
fosse ate “Colette”, uma loja nova que e super trendy em Paris agora.
Gostei da arquitetura, bem minimalista, as pessoas como em LA todos
vestidos de preto. Ninguem comprava nada. Facil de entender: uma saia
boba, sem graca custava US$ 945.00 Alias tudo era nessa faixa e mais
alto. O restaurante no subsolo simples e slick, mas me lembrou muito
de LA, dai que decidi continuar caminhando.
Como sempre tanta coisa para ver, sorrir,
apreciar, rir... Entrei em varias lojas. Sempre vou ate Versace por
causa do building que e esplendido. Dei uma paradinha num Bistro, fiz
um lanche leve, da minha mesa podia ver diferentes perspectivas da Avenida
com pessoas caminhando, andando de bicicleta, corpo de bombeiro apitando
mas ninguem com pressa, japones sempre em grupos, alguns brasileiros,
italianos e por ai vai...
Caminhei ate La Comedie Francaise, entrei
para visitar o predio, e soava o signal para comecar o espetaculo. Eu
perguntei o que estava em cartaz: L’Avare de Moliere. Comprei o ultimo
lugar la no puleiro e quando entrei no teatro a peca tinha acabado de
comecar. Por milagre encontrei uma cadeira vazia aonde uma mulher bloqueava
com a sua bolsa. Esperando um arzinho de dissatisfacao tipico frances
pedi licensa e me sentei na cadeira. Surpresa: nao teve arzinho.
Do
meu lado duas japonesas e pelas cabecas das poltronas abaixo e ao redor
eu notava a variedade da audiencia: homens, mulheres, criancas, jovens,
estrangeiros, estudandes. O teatro estava lotado. Era apenas duas da
tarde de Sabado. Apesar de conhecer a peca, era dificil para mim entender
o dialago. O meu Frances ainda nao esta tao bom assim. Mas eu estava
absorvendo tanto...A atmosfera, o teatro maravilhoso mesmo no escuro,
a concentracao e reacao da plateia, o scenario, o vestuario, a direcao
e ate mesmo o estilo over dramatico dos franceses interpretarem, o que
me lembra muito o estilo latino em geral.
Depois de uma hora eu desci as escadas
carpetadas de vermelho para aproveitar o silencio e apreciar a entrada
aonde escritos em marmore estao os nomes de Racine, Moliere entre outroas
genios do Teatro Frances.
Retornei
pelo outro lado da Rue Saint Honore, pois afinal eu queria completar
a minha caminhada. Atravessei a rua divida por uma fonte jorrando notas
musicais, com passarinhos pulando ao redor. Me senti full como se eu
estivesse ido a um banquete. Pensei comigo mesma; “Eu nao poderia ter
planejado esse dia melhor”. Mas como sempre Paris esta sempre me surpreendendo.
No meu caminho de volta eu passei em frente
de uma igreja (nao era a igreja Polish) cuja a faixada estava em construcao.
Antes de decidir se entraria ou nao, eu ja tinha subido as escadas e
entrado na igreja.
Imediatamente ao entrar eu sou recebida
por um coral de 60 vozes de criancas de 6 ate 17 anos. Era como se eu
estivesse ouvindo vozes de anjos. De uma afinacao e beleza que me penetrou
a alma de imediato. Me sentei na fileira do meio. Havia so algumas pessoas
na igreja, alem do maestro, pianista, e o coral. Sem saber de onde ou
porque lagrimas inudavam os meus olhos, eu tinha que me esforcar para
nao solucar, tal era a beleza que eu estava experienciando. No final
uma das estudantes solistas cantou ‘Ave Maria”, e foi como se eu estivesse
no ceu, flutuando entre as estrelas. Magico.
A professora do grupo me convidou para
o recital naquela mesma noite na igreja. Eu perguntei qual era a origem
da maioria dos parentes das criancas, ela respondeu: Franca, Tunisia,
Marroco, Japao, etc. “O mundo esta se tornando um pais grande”, eu pensei.
Eu agradeci o maestro de Conecticut, Scott Alan Prouty, que me disse
que ele tinha vindo a Paris somentente por uns meses mas acabou ficando
e criando o “Choeur d’Enfants de Creteil”.
Eu
continuei a minha caminhada em direcao a La Madeleine, aonde um billboard
vermeho promovendo uma peca teatral “Jesus” bloqueava a frente da igreja.
Quando entrei eu me deparei com um padre gordo de New York que estava
fazendo um estagio em Paris. Ele riu da minha pergunta. “Voce esta me
dizendo que voce ouviu na CNN que essa igreja tinha sido vendida para
Igreja Universal brasileira? Oh Freira escuta essa... isso vai ser
interessante, hoje a noite eu vou jantar com o cardinal e ele vai gostar
de ouvir essa historia.”
Sai da igreja nao sabendo se me sentia
aliviada com a noticia do padre ou irritada com a CNN. Eu escolhi aliviada,
pois afinal o que seria de Paris se o governo comessasse a vender os
seus monumentos?
Ao descer as escadas de La Madaleine eu
pensei como o padre gordo estava contente quando eu perguntei para ele
porque a igreja estava promovendo uma peca comercial. Ele me respondeu
que ele estava feliz pois isso atraia muita gente para a igreja e afinal
o poster tinha sido aprovado pelo cardinal e ministro, e quem era ele
para achar errado o que o cardinal aprovou. Para a minha tristeza ele
me disse que depois que o Cartaz for removido, uma estatua da Cruz em
bronze vai ser colocado bem no meio da entrada da igreja. “Que pena”eu
pensei, “O arquiteto do Napoleon deve estar se mexendo no seu tumulo
quando ver todas as mudancas que estao fazendo no seu templo.”
Visitei
o Musee do louvre e como sempre foi dificil decidir por onde comecar
quando se tem 30.000 pecas de arte para se ver. Eu acabei fazendo o
obvio. Eu comecei visitando os meus favoritos; italian paintings e esculpturas
de marmore.
Domingo -
Chuva- Sol - Chuva
Favorites
no Musee d’Orsay:
Sala preferida: Salon de Fete
Escultura preferida: salome (bronze) de
Jules Desbois e La Danse Guerreire (marble) de Victor Segoffin.
Pintura preferida: Todos impresionistas
Momento favorito: Nao saber para onde olhar.
As pinturas de Pissaro e Renoir ou olhar atravez da pequena janela entre
os quadros a tempestade de gelo que mudava os ceus sobre Le Seine. Ambas
escolhas lindas.
Lugar favorito para descansar: O restaurante
do Musee d’Orsay . Decor de 1900’ com frescos no teto, pianista tocando
Debussy... Enquanto eu saboreava o meu cha, eu me senti overwhelmed
com a beleza de fora do sala tambem. Um lindo arco-iris se debrucava
no meio da roda-gigante. Depois a posicao do sol mudou e cada cadeirinha
do roda-gigante refletiu um verde brilhante como uma tiara de esmeraldas.
Outras
surpresas: Rosas enormes e flores amarelas por toda parte, no meio de
Março. Primavera adiantada em Paris!!!!!
Sobremesa favorita: black currant e sorbet
de limao no “Nostalgie” em Courboevoie. O chef vai a feira todos os
dias e baseado no que ele encontra ele entao cria o seu cardapio.
Descobri um lugar super romantico, cheio
de atmosfera e beleza. O restaurante e bar do Hotel Costes na Rue Saint
Honore.
Moda da Primavera em Paris esta cheia de
cores e influencias da India. Em Vogue sao as cores Rosa, Vermelho,
Framboesa, Laranja e muito revival da moda dos anos 70’s.
Last
but not least nos vimos a joia de Paris iluminada com mil luzes celebrando
o novo milenio - La Tour Eiffel.
Au revoir - Bianca Rossini