Paris 2000
 by Bianca Rossini

Paris á l’impromptu

Acabei de voltar de Paris - França aonde estiva por dez dias. Aqui vao alguns snapshots de momentos inesqueciveis dessa viagem.

O principe do Marroco estava visitando Paris nessa mesma semana. As bandeiras Francesas e Marroquinas enfileiravam o corredor do Champs Elysee. No meio do Arc de Triomphe a bandeira francesa parecia estar suspensa no ar, dancando como uma ninfa. Dependendo do angulo, se podia centralizar a lua cheia no meio do arco um pouco a esquerda da Bandeira.

Quarta-feira - Saint Germain des Pres estava tranquilo as onze da noite. Procurando um restaurante. Pouco turista. Quase que escolhemos “Les Assassins”, so pelo nome, mas a fumaca de cigarrro era densa que nao se enchergava alem da primera mesa. Optamos por um restaurante menor ainda e bem tipico da vizinhanca, “La Brocherie”. Uma delicia. Principalmente o papo da mesa vizinha, tres homens, uma moca. Os homens conversavam entre si, a moca calada sorria de vez em quando. Praticavam a arte de falar sobre tudo e nao falar nada.

De repente, na mesa inteira todos conversam no celular.

A sobremesa estava deliciosa, meu favorito de infancia: Flan.

Quinta-feira em Saint Germain des Pres, a nossa amiga Monique nos convidou para um festa vip no “Le Deux Magots” aonde se celebrava the signing of the preservation and artistic heritage das duas cidades irmas; St. Germain em Paris, e Soho em New York. Exposicoes e Performance Art por toda area. Momento inesquecivel na Place Furstenberg, patrocinado pelo Delacroix Museum, aonde uma audiencia grande assistiam dancarinas arabes fantasiadas dancar e representar. Tecidos coloridos pendurados como num varal e outros props decoravam a pracinha. Por toda vizinhanca havia algo magico creativo acontecendo. Seja na boutique Channel, entre outras ou na rua, mesmo com a chuva pingando aqui e ali, a vizinhanca estava cheia de energia. Nesse sentido Parisienses como os cariocas  sao muito similares - A chuva nao altera a alegria deles. Na igreja em Saint Germain um recital de musica e danca Flamenga as oito da noite. Mas nao fomos pois tinhamos jantar marcado no ultimo venture do Michel Rostandg que eu nao recomendo a nao ser as ostras.


Jantar Favorito em Paris - Na casa da nossa amiga Monique Teil’s que como no Hotel dela “George Sands” em Courbevoie reflete seu estilo feminino, romantico e artistico. Nao so o “Fish au Gros Sel” estava divino mas estavamos entre grande compania: Monique, Brigitte, que cantou opera em Chines, Michelle, Gerard, Robert e Philippe. Nos dancamos, cantamos, improvisamos poesia e rimos pela noite a dentro.

Da esquerda para a direita: Bianca, Brigitte, Philippe, Michelle e Robert
Monique prestes a servir o "Fish au Gros Sel"

Sabado fui caminhar na rua Saint Honore. A minha amiga insistiu para que eu fosse ate “Colette”, uma loja nova que e super trendy em Paris agora. Gostei da arquitetura, bem minimalista, as pessoas como em LA todos vestidos de preto. Ninguem comprava nada. Facil de entender: uma saia boba, sem graca custava US$ 945.00 Alias tudo era nessa faixa e mais alto. O restaurante no subsolo simples e slick, mas me lembrou muito de LA, dai que decidi continuar caminhando.

Como sempre tanta coisa para ver, sorrir, apreciar, rir... Entrei em varias lojas. Sempre vou ate Versace por causa do building que e esplendido. Dei uma paradinha num Bistro, fiz um lanche leve, da minha mesa podia ver diferentes perspectivas da Avenida com pessoas caminhando, andando de bicicleta, corpo de bombeiro apitando mas ninguem com pressa, japones sempre em grupos, alguns brasileiros, italianos e por ai vai...

Caminhei ate La Comedie Francaise, entrei para visitar o predio, e soava o signal para comecar o espetaculo. Eu perguntei o que estava em cartaz: L’Avare de Moliere. Comprei o ultimo lugar la no puleiro e quando entrei no teatro a peca tinha acabado de comecar. Por milagre encontrei uma cadeira vazia aonde uma mulher bloqueava com a sua bolsa. Esperando um arzinho de dissatisfacao tipico frances pedi licensa e me sentei na cadeira. Surpresa: nao teve arzinho. Do meu lado duas japonesas e pelas cabecas das poltronas abaixo e ao redor eu notava a variedade da audiencia: homens, mulheres, criancas, jovens, estrangeiros, estudandes. O teatro estava lotado. Era apenas duas da tarde de Sabado. Apesar de conhecer a peca, era dificil para mim entender o dialago. O meu Frances ainda nao esta tao bom assim. Mas eu estava absorvendo tanto...A atmosfera, o teatro maravilhoso mesmo no escuro, a concentracao e reacao da plateia, o scenario, o vestuario, a direcao e ate mesmo o estilo over dramatico dos franceses interpretarem, o que me lembra muito o estilo latino em geral.

Depois de uma hora eu desci as escadas carpetadas de vermelho para aproveitar o silencio e apreciar a entrada aonde escritos em marmore estao os nomes de Racine, Moliere entre outroas genios do Teatro Frances.

Retornei pelo outro lado da Rue Saint Honore, pois afinal eu queria completar a minha caminhada. Atravessei a rua divida por uma fonte jorrando notas musicais, com passarinhos pulando ao redor. Me senti full como se eu estivesse ido a um banquete. Pensei comigo mesma; “Eu nao poderia ter planejado esse dia melhor”. Mas como sempre Paris esta sempre me surpreendendo.

No meu caminho de volta eu passei em frente de uma igreja (nao era a igreja Polish)  cuja a faixada estava em construcao. Antes de decidir se entraria ou nao, eu ja tinha subido as escadas e entrado na igreja. 

Imediatamente ao entrar eu sou recebida por um coral de 60 vozes de criancas de 6 ate 17 anos. Era como se eu estivesse ouvindo vozes de anjos. De uma afinacao e beleza que me penetrou a alma de imediato. Me sentei na fileira do meio. Havia so algumas pessoas na igreja, alem do maestro, pianista, e o coral. Sem saber de onde ou porque lagrimas inudavam os meus olhos, eu tinha que me esforcar para nao solucar, tal era a beleza que eu estava experienciando. No final uma das estudantes solistas cantou ‘Ave Maria”,  e foi como se eu estivesse no ceu, flutuando entre as estrelas. Magico.

A professora do grupo me convidou para o recital naquela mesma noite na igreja. Eu perguntei qual era a origem da maioria dos parentes das criancas, ela respondeu: Franca, Tunisia, Marroco, Japao, etc. “O mundo esta se tornando um pais grande”, eu pensei. Eu agradeci o maestro de Conecticut, Scott Alan Prouty, que me disse que ele tinha vindo a Paris somentente por uns meses mas acabou ficando e criando o “Choeur d’Enfants de Creteil”.

Eu continuei  a minha caminhada em direcao a La Madeleine, aonde um billboard vermeho promovendo uma peca teatral  “Jesus” bloqueava a frente da igreja. Quando entrei eu me deparei com um padre gordo de New York que estava fazendo um estagio em Paris. Ele riu da minha pergunta. “Voce esta me dizendo que voce ouviu na CNN que  essa igreja tinha sido vendida para Igreja Universal brasileira?  Oh Freira escuta essa...  isso vai ser interessante, hoje a noite eu vou  jantar com o cardinal e ele vai gostar de ouvir essa historia.”

Sai da igreja nao sabendo se me sentia aliviada com a noticia do padre ou irritada com a CNN. Eu escolhi aliviada, pois afinal o que seria de Paris se o governo comessasse a vender os seus monumentos?

Ao descer as escadas de La Madaleine eu pensei como o padre gordo estava contente quando eu perguntei para ele porque a igreja estava promovendo uma peca comercial. Ele me respondeu que ele estava feliz pois isso atraia muita gente para a igreja e afinal o poster tinha sido aprovado pelo cardinal e ministro, e quem era ele para achar errado o que o cardinal aprovou. Para a minha tristeza ele me disse que depois que o Cartaz for removido, uma estatua da Cruz em bronze vai ser colocado bem no meio da entrada da igreja. “Que pena”eu pensei, “O arquiteto do Napoleon deve estar se mexendo no seu tumulo quando ver todas as mudancas que estao fazendo no seu templo.”

Visitei o Musee do louvre e como sempre foi dificil decidir por onde comecar quando se tem 30.000 pecas de arte para se ver. Eu acabei fazendo o obvio. Eu comecei visitando os meus favoritos; italian paintings e esculpturas de marmore.

Domingo - Chuva- Sol - Chuva

Favorites no Musee d’Orsay:

Sala preferida: Salon de Fete

Escultura preferida: salome (bronze) de Jules Desbois e La Danse Guerreire (marble) de Victor Segoffin.

Pintura preferida: Todos impresionistas

Momento favorito: Nao saber para onde olhar.  As pinturas de Pissaro e Renoir ou olhar atravez da pequena janela entre os quadros a tempestade de gelo que mudava os ceus sobre Le Seine. Ambas escolhas lindas.

Lugar favorito para descansar: O restaurante do Musee d’Orsay . Decor de 1900’ com frescos no teto, pianista tocando Debussy... Enquanto eu saboreava o meu cha, eu me senti overwhelmed com a beleza de fora do sala tambem. Um lindo arco-iris se debrucava no meio da roda-gigante.  Depois  a posicao do sol mudou e cada cadeirinha do roda-gigante refletiu um verde brilhante como uma tiara de esmeraldas.

Outras surpresas: Rosas enormes e flores amarelas por toda parte, no meio de Março. Primavera adiantada em Paris!!!!!

Sobremesa favorita: black currant e sorbet de limao no “Nostalgie” em Courboevoie. O chef vai a feira todos os dias e baseado no que ele encontra ele entao cria o seu cardapio.

Descobri um lugar super romantico, cheio de atmosfera e beleza. O restaurante e bar do Hotel Costes na Rue Saint Honore.

Moda da Primavera em Paris esta cheia de cores e influencias da India. Em Vogue sao as cores Rosa, Vermelho, Framboesa, Laranja e muito revival da moda dos anos 70’s.

Last but not least nos vimos a joia de Paris iluminada com mil luzes celebrando o novo milenio - La Tour Eiffel.

Au revoir - Bianca Rossini