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25 de Maio de 2001
A Brasileira que conquistou Hollywood
Bianca Rossini, atriz brasileira
e co-estrela de "Brainiacs", novo filme de Dom Deluise, que
faz sucesso em Los Angeles com o seu talk show semanal "The
Bianca Rossini Show", é entrevistada pelo humorista,
roteirista e teatrólogo Paulo Duarte.
Em seu programa
de TV, já dançou tango com Richard
Dreyfuss, foi paciente do Dick Van Dyke, tentou vender sua
linha de moda com peles de animais extintos para o Arsenio
Hall e também foi seduzida por espiritos que a levaram para um
mundo de danças afro-cubanas no The Sentinel, seriado da TV
americana. Em Brainiacs, seu último filme, ela faz o papel de
uma mulher de negócios russa, sócia do Dom
Deluise.
Paulo Duarte - Bianca, como foi
atuar com Dom Deluise? BIANCA - Eu sempre gostei
dos seus filmes e dos seus shows de culinária, e atuar com ele
e vê-lo atuando foi bem divertido. O Dom é uma pessoa muito
gentil, não importa com quem. Qualquer pessoa que lhe pedisse
um autografo ou quisesse tirar uma foto com ele, Deluise não
hesitava em atendê-los com a maior boa vontade.
Quantas atrizes fizeram teste para o
papel? - Perguntei ao diretor e ele disse que foram
testadas cerca de 60 atrizes.
Como você estava se
sentindo naquele dia? - Bastante tranqüila. Estava
aguardando o meu teste na área de recepção quando outras
atrizes começaram a chegar. Elas eram de todos os tipos e
tamanhos. E é claro, todas estávamos checando umas às
outras.
Como foi o teste? - Eu não tinha
nenhuma idéia do que eles (diretor, produtor, etc) estavam
querendo. Mas devido ao filme ser uma comédia, eu estava me
sentindo bastante à vontade. Tanto que até me diverti com o
diretor. Ele me perguntou: “Bianca, de onde você é ?”
Atores, em geral, não gostam dessa pergunta, pois ninguém
quer ser categorizado. Então eu respondi: “Beverly Hills”,
que é aonde eu moro. Eles riram, mas o diretor
insistiu: “E antes?” Eu respondi: “West Hollywood.”
Sem desistir, ele continuou. “E antes?” ”New York.”
“E antes?” “Europa.” Finalmente o diretor parou e eu
perguntei porque ele ia desistir tão rápido? Ele respondeu
que, na verdade, eles não sabiam direito o que estavam
procurando. Eu o tranqüilizei, dizendo que iriamos descobrir
isso juntos. Ele então continuou: “Eu vejo que você faz
vários sotaques. Que tal uma sueca? (o que não estava incluído
na minha relação). “Eu não faço sotaque de loira. Aliás,
tem umas na recepção.” Eles riram. “Ok, então faz com o
sotaque Italiano.” Eu fiz, eles riram mais. “Ok, agora
faz com sotaque Russo.” Eles riram ainda mais. Eu
improvisei um pouco com o ator que estava lendo comigo, o
diretor pediu que eu puxasse o meu cabelo para trás. No final,
eu agradeci e, quando estava saindo, disse que eu me diverti e
que ele era muito bom. O diretor agradeceu e eu falei que
estava me referindo ao ator, e saí dali rindo bastante. Eu não
soube nada por duas semanas e pensei: “eu devia ter dito que o
diretor era bom, não o ator.” Mas então o telefone tocou e eu
fui contratada.
Você gostaria de fazer mais
comédias? - Com certeza. Rir e fazer as pessoas rirem
me dá um prazer enorme e é parte de como eu sou no meu dia a
dia. Humor é algo delicado. Você só é engraçado na proporção
de quem o está ouvindo também seja engraçado. Ou seja, se a
pessoa não o entende, esqueça, porque não vai funcionar. Em
geral, na vida real tem muita gente que se leva muito a serio.
Para mim, as pessoas mais deliciosas são as que riem delas
mesmas. Eu gosto de achar humor em tudo, onde inclui fazer
graça de mim mesma.
Você já teve sucesso na sua
carreira de atriz. O que a inspirou para ter o seu próprio
programa de entrevistas? - Desde pequena eu sempre
adorei ouvir as pessoas contarem suas historias. No colégio,
eu pertencia ao departamento de Jornalismo, onde eu tinha uma
coluna de poesias e também fazia entrevistas. Em geral, as
pessoas se sentem confortáveis comigo para revelarem coisas
muito pessoais. A complexidade da vida faz da existência de
cada pessoa um processo único. Todo mundo tem uma boa história
para contar. Conhecidos meus notaram como as pessoas à minha
volta se sentiam à vontade para falar, e me diziam sempre:
“Bianca, você tem que ter o seu próprio
programa.”
Quando você começou a produzir e
apresentar o “The Bianca Rossini Show”? - Um ano atrás.
O meu show vai ao ar duas vezes por semana.
Você
venceu como atriz numa terra estrangeira. Como vê essa parte
da sua carreira no futuro? - Eu adoro atuar, e
obviamente seria fantástico fazer mais trabalhos que tenham
realmente algo a dizer, que tenham substância. Como ator você
está sempre a mercê da decisão de outros. Ter o meu próprio
programa de entrevistas me deu a oportunidade única de
realizar vários aspectos criativos: como apresentar, produzir,
escrever, cenografar, dirigir, etc. Pela primeira vez eu sinto
que estou utilizando basicamente todas as minhas habilidades,
como também aprendendo muito com tudo isso, é claro. Como
atriz, você está constantemente procurando trabalho. Com o meu
próprio programa eu posso praticar todo o meu potencial e,
quem sabe, até descobrir capacidades novas.
Que
tipo de respostas do público você tem recebido? - O
resultado tem sido excelente. Eu recebo muitos e-mails tanto
de homens quanto de mulheres. As pessoas estão assistindo e,
segundo me falam, estão gostando muito do show.
Como
você encontra os seus convidados? - Através de pessoas
que conheço, pessoas com quem já trabalhei, publicistas e as
vezes os próprios convidados me procuram.
Qual a
importância para alguém que está tentando conseguir
visibilidade, aparecer num talk show como o seu? -
Muito grande. Quando você apresenta um espetáculo, ou faz
outro tipo de trabalho que quer que o publico conheça, é
fundamental que você seja entrevistado na TV. Outro exemplo é
no próprio meio artístico. Alguns anos atrás, eu tentei me
apresentar no circuito de programas de entrevistas, para
promover a minha participação num show de TV em episódios, no
qual eu fazia o papel principal. A primeira coisa que me
perguntaram foi “Você já foi entrevistada no ar? Você tem uma
cópia da entrevista?” Eles geralmente não lhe convidam, a não
ser que tenham a certeza de que você pode interagir com o
entrevistador. Não importa o quanto você seja bom como ator,
se você não for interessante como convidado, as chances ficam
limitadas ou nulas. Para muita gente, ser convidado para ir
num programa de entrevistas independente não só lhe dá uma
tremenda visibilidade, como serve também para exercitar-lhe a
desenvoltura como convidado, e talvez essa seja a força
necessária para você subir mais um degrau na sua
carreira.
Que tipo de assuntos você costuma
cobrir? - Agora os shows estão bem ecléticos. Eu tenho,
por exemplo, dado muito importância a temas ligados às artes,
estilos de vida, moda, comidas, saúde, e outras
novidades.
Você gosta de gravar o seu show em
estúdio ou prefere locações? - Eu gravo sempre em
estúdio. Adoraria fazer também locações, mas isso requer um
orçamento maior.
Como é produzir o seu próprio
show? - A última vez que contei eu fazia o trabalho de
10 pessoas (risos). Isso exige uma energia e disciplina
constantes, mas é também muito prazeroso. A razão de ter
aprendido muito em tão pouco tempo deve-se, em parte, por essa
minha vontade e determinação incríveis de produzir sempre o
melhor show possível.
Que planos você tem para o seu
show daqui para frente? - Eu gostaria de levá-lo para
uma das televisões abertas ou canais a cabo que transmitem
nacionalmente aqui nos Estados Unidos e também, num futuro
próximo, distribuí-lo para o mercado brasileiro, latino e
Europeu.
Para você, que tem um veia cômica muito
forte, qual a importância do humor no processo da
entrevista? - Eu, como já disse, adoro humor e as
pessoas bem humoradas, mas o convidado tem que estar disposto
a entrar nesse clima. Se ele tem uma atitude descontraída e
divertida, ou resolve contar alguma coisa engraçada, ai então
eu viajo com isso, interajo com ele e a entrevista sempre fica
melhor de ser assistida.
Para você, que fala 5
idiomas, nasceu no Brasil, já viajou muito e é uma pessoa
talentosa desde a infância, ou seja, que tem muito a oferecer
como apresentadora, qual seria, na sua opinião, o principal
elemento para alguém ser um bom apresentador?
- Eu
acho que o meu background e experiências em diferentes áreas
me ajudam muito a me conectar com as pessoas, mas nada disso
terá importância se o entrevistador não estiver interessado no
convidado. No meu caso, eu gosto de ir sempre ao cerne da
questão, procurando saber o que a pessoa sinceramente sente.
Qual e o seu passatempo favorito? - Eu adoro
ver gente. Infelizmente, Los Angeles não tem esses tipos de
lugares, como em NY, Paris, ou Rio, cheio de pessoas e vida 24
horas por dia.
O que você faz para ficar em forma?
- Eu adoro dançar. Recentemente descobri Pilates, que
é um método excelente de exercícios para o corpo. Mas eu
também gosto muito de nadar e caminhar, principalmente na
praia..
Em que aspecto Los Angeles é especial para
você? - Pelas mesmas razões que me fazem achar os
Estados Unidos, como um todo, um pais incrível e
extraordinário. As oportunidades que você tem aqui seriam
quase impossíveis em outro lugar. O profissionalismo, o
espaço, a maneira imediata como tudo é feito, a possibilidade
de você concretizar o seu sonho, a abundância e muitas coisas
mais. Em Los Angeles a vida é provavelmente bem mais
confortável que em outras partes, não só porque o clima aqui é
muito agradável, como você também pode fazer muito durante um
curto espaço de tempo. Los Angeles é uma cidade para se
trabalhar.
Você é uma das poucas pessoas que eu
conheço nessa profissão que não fica dando desculpas, se
explicando por isso ou aquilo não estar acontecendo. O que
você tem a dizer sobre esse seu jeito de ser? -
Trabalhar em show business não é fácil, sempre foi uma
carreira dificílima, mas ninguém está me forçando a ficar
nessa industria. Eu me sinto privilegiada e muito feliz de ter
uma vida artística.
Você já teve muitos convidados
interessantes e famosos no seu show, como o Paul Mazursky, Dom
Deluise e Dori Caymmi. Quem que você ainda não entrevistou mas
que adoraria entrevistar? - É claro que nesse mundo
fantástico do show business tem muita gente famosa que eu
gostaria de ter no meu programa. Mas o fato é que eu acredito
muito que todos nós temos uma boa história para contar, seja
famoso ou não.

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